sábado, 9 de março de 2013

Trocando Ideia: Entre o popular e o erudito com Raíssa Amaral


Chiquinha Gonzaga, Dalva de Oliveira, Dona Ivone Lara, Clara Nunes, e tantas outras mulheres que abrilhantaram, no instrumento ou com suas vozes, a história de nossa terra.
No mês em que se comemora o Dia Internacional das Mulheres, o blog Arte do 7 Cordas bateu um papo com Raíssa Amaral, paulista de Piracicaba que atualmente é bacharelanda em Violão Popular e Canto Erudito pela Universidade de Campinas (Unicamp).
Admiradora de grandes mestres de nossa música, ela gosta de alimentar os ouvidos com gêneros variados, que passam por choro, seresta, bolero, tango, clássicos da canção popular, entre outros.
Confira o papo na íntegra:


- Quando você percebeu que queria aprender a tocar algum instrumento?
Desde cedo. Em casa sempre ouvimos música e minha mãe tocava um pouco de violão. Com seis anos de idade ela me levou para aprender música. 
- O que você costuma ouvir e quais são os ritmos que gosta de tocar?
Clássicos, MPB, Samba, Choro, Seresta, Bolero, Tango, Músicas Românticas. Existem vários gêneros musicais que gosto de ouvir, mas não teria como classificá-los com uma simples palavra.
Gosto de tocar todos, mas procuro adequar a minha forma de tocar e se for o caso cantar.
- Pra você, tocar é um dom que vem da alma ou provém do empenho?
Os Dois. Empenho e a prática são importantes para desenvolver e aprender cada vez mais, mas o que vem da alma é essencial.
- Quais são os violonistas que você admira?
Gosto muito do Alessandro Penezzi, acho um violonista completo e pode se virar em qualquer estilo.
Mas amo Baden Powell, admiro Raphael Rabello, Yamandú Costa, Duo Assad, Ulisses Rocha e tantos outros violonistas brasileiros. É uma lista grande.
Tenho essa preferência pelos violonistas considerados populares.
Embora admire os clássicos como Andrés Segóvia, Narciso Yepes, Julian Bream, John Williams, gosto de observar a improvisação e o desempenho dos violonistas que fogem de partitura como a maioria dos populares brasileiros e dos flamencos.
- Já tocou ao lado de algum instrumentista que você admira?
Toco informalmente com Alessandro Penezzi, Ulisses Rocha, Sergio Napoleão Belluco. Eles são meus amigos e orientadores.
- Pra você, qual a diferença do violão 6 para o de 7 Cordas?
Depende do trabalho que você quer realizar. Certos trabalhos não há necessidade de utilizar a sétima corda.
Em se tratando de música brasileira derivadas do samba e do choro, acho importante o violão 7 cordas. Ele nos dá um enriquecimento maior das passagens com baixaria e preenchimento da música.
- Por que escolheu o violão de 7 cordas ao invés de continuar no de 6 cordas ?
Infelizmente estou sem um violão 7 cordas, mas como disse acima, quando é uma situação mais informal, popular, onde possa descontrair, inovar, o melhor é o 7 cordas. Causa mais efeito e tem mais recursos.
Em se tratando de um trabalho clássico, onde tem que reproduzir partituras de composições feitas para o violão de 6 cordas, ou de base, não há necessidade de usar o sete.
- Deixe uma mensagem para quem quer aprender a tocar.
Existem os gênios do violão que são raros, pessoas que nascem com um dom especial, que com pouco tempo de estudo já tocam de uma forma absurda, pessoal e magnífica.
Mas qualquer pessoa dentro do seu juízo normal é capaz de aprender a ler uma partitura, ensaiar bonito e fazer uma linda apresentação e podem se tornar músicos reconhecidos.
Tocar um instrumento não é privilégio só para alguns, mas de todos. Basta não desistir do objetivo.
No vídeo abaixo, Raíssa toca o clássico "Odeon" de Ernesto Nazareth.


 Conheça mais sobre o repertório da artista pelos perfis:

3 comentários:

  1. Veleu Hugo, muito legal disponibilizar essas informações da Raíssa Amaral... Um abraço!
    Marinho Oliveira

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  2. É isso aí Raíssa! A Bela do violão!

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  3. Há controvérsias sobre a questão da existência do chamado "DOM" ! Há pesquisas realizadas no mundo inteiro que rebatem esta questão de uma pessoa nascer com algo pronto. Tudo na vida desde a fase intra uterina o ser humano é "atacado" por muitos estímulos que podem ou não contribuir na sua formação e com isso predispô-lo mais a certas atividades. Não vou transcrever aqui estes trabalhos. Usem o Google (no mínimo) que encontrarão trabalhos (em inglês naturalmente) sobre esta questão! A Unicamp é um dos grandes centros de pesquisas nesta área no Brasil!

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